quinta-feira, 1 de outubro de 2009

"Soneto da Fidelidade"

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Sem dúvida, em bastantes poemas, o "Amor" é tema central, garimpo de grandes poetas e celeiro de obras imortalizadas. A poesia, não raras vezes, trata da relação imanente entre o desejo do amante e da coisa amada. É genitivo (origem de...) e acusativo (movimento para...)Esses movimentos se completam na verve poética-amorosa.

A poesia não é só constructo do amor. Há, todavia, predileção por assuntos que o evoca a fim de catárticamente senti-lo. Esse setimento na arte, se sublima, torna-se mais nobre, ou até mesmo erótico e infame. Pode-se afirmar que se trata da temática mais conhecida, que denota a ligação do eu-lírico com seus amores, com seus sofrimentos, suas angústias, com a coita, dores, alegrias etc.

Estes elementos supracitados estão sobremaneira arraigados no poema cuja temática trata do amor; um nome evoca o outro. O amor seguramente tem sido, das temáticas literárias a mais requisitada, seja em que tempo for, seja em que cultura for. Fonte inesgotável à qual os escritores recorrem constantemente, sua existência está presa à própria essência humana, condição fundamental na tessitura da vida, que leva os artífices da palavra a abordarem-no a cada momento. Particularmente aos poetas, ele mais tem servido, já que na poesia, tradicionalmente, está o lugar por excelência para a presença do amor. O afeto o amor e lirismo coabitam em poemas, dando-lhes uma caracterização de profunda sensibilidade.

Essas combinações atingiram tal ponto que, ao povo comum, poesia poesia tornou-se sinônimo de amor: poesia é texto que fala de amor. A saber, sua amplitude é de abrangência universal- todos humanos amam, e reconhecem esse sentimento, com intensidade diversa.

Realizando uma incursão na trajetória da literatura de língua portuguesa, observa-se que desde seu início com o trovadorismo até primeira década do século XX, o amor pode ser observado em posição de notório relevo e com perfil mais ou menos delineado. Sua expressão ocupa lugar privilegiado nas cogitações e emoções poéticas, ainda que de maneira fingida, não ôntica e convencionalmente considerado como não racional é o amor o germe de muitas criações. É o amor causa e efeito de ações, atitudes e sentimentos. Por ele se vive e se morre.

Vale notar que em todos os momentos e épocas, sua posição é a de absoluto senhor, a esse sentimento são submetidos e rendidos pobres e ricos, vassalos e nobres, súditos e reis. São essas manifestações amorosas de que tratamos em muitos poemas.

Em Vinicius de Moraes, o amor não é a causa, mas a origem de tudo. O Amor em o "Soneto da Fidelidade" não se serve de espaço geográfico, nem físico, tampouco depende de que haja um contexto objectual, ôntico para que lhe dê substância. A substância seria o próprio sentimento (ideal), condensado em si mesmo, como forma de amar o "amor". O translado para um ser Ôntico seria reflexo de um comportamento Platônico, cujo cerne é o amor em sua epfania no campo das ideias.

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